As autoridades admitem que a província tem muitos pontos de defecação ao ar livre, o que, de certo modo, preocupa, por acelerar o nível de transmissibilidade da doença. O Governo, que admite a existência de muitos cidadãos que consomem água não tratada, corre, agora, atrás de medidas profiláticas para travar o corte de transmissão da doença, numa altura em que se têm vindo a registar muitos óbitos. O director da Saúde, Manuel Cabinda, revela que, de Fevereiro à presente data, mais de 100 pessoas morreram
As autoridades sanitárias em Benguela estão sob alerta face ao ressurgimento do surto de cólera, que, em 2025, transformou a província no epicentro da doença a nível do país. Até bem pouco tempo, o Governo, em função das medidas adoptadas, tinha o surto sob controlo, porém a defecação ao ar livre e o consumo de água não tratada fizeram recolocar a província numa situação preocupante.
De 28 a 29 deste mês, ou seja, em vinte e quatro horas, a província notificou 50 casos da doença. Em declarações à imprensa, o director do Gabinete Provincial da Saúde, médico António Manuel Cabinda, citado pela Rádio Nacional de Angola, revelou que, de Fevereiro à data presente, mais de uma centena de pessoas morreram de cólera, tendo apontado os municípios da Baía-Farta, Navegantes e Benguela como aqueles que mais inspiram cuidados.
Cabinda não tem dúvidas de que o ressurgimento da doença está associado à defecação ao ar livre, ao que se associa, igualmente, o consumo de água não tratada. “É necessário que se dê uma maior atenção às questões do saneamento do meio e da água, porque são factores fundamentais para o surgimento da cólera”, vincou, ao sinalizar que a província de Benguela tem muitos casos de defecação ao ar livre e estes são, por conseguinte, indicadores propícios “para o desenvolvimento deta doença e não só de outras com a mesma via de transmissão”.
Constantino Eduardo, em Benguela
