Filho do director de Cooperação Internacional do MIREX implicado em fuga ao fisco e branqueamento de capitais através da empresa SCHEUER

Filho do director de Cooperação Internacional do MIREX implicado em fuga ao fisco e branqueamento de capitais através da empresa SCHEUER

Um grupo de trabalhadores da empresa SCHEUER, S.A. apresentou uma participação criminal junto do Serviço de Investigação Criminal (SIC) contra o presidente executivo (CEO) da sociedade, Edner Silva, por alegados crimes de burla, fuga ao fisco e branqueamento de capitais.

Os denunciantes afirmam estar há mais de cinco meses sem receber salários, enquanto o principal responsável da empresa vive confortavelmente no Dubai, exibindo um estilo de vida de luxo, segundo relatos de ex-funcionários.

“Somos muitos, fomos humilhados, enganados e abandonados”, desabafou um dos trabalhadores ao Imparcial Press.

A SCHEUER, S.A., criada em 2022, tem sede no condomínio Belas Business Park, torre Cuando Cubango, piso 8, município de Talatona, em Luanda, possui o número de identificação fiscal 5001202910.

Embora se tenha apresentado publicamente como empresa ligada aos sectores mineiro e petrolífero, ex-colaboradores alegam que, na prática, a SCHEUER esta envolvida em negócios paralelos ligados à indústria do cimento, alegadamente sustentados por esquemas financeiros obscuros e entidades não identificadas.

Ex-colaboradores levantam suspeitas graves de lavagem de dinheiro, alegando que existiam pagamentos mensais de 200 a 300 de milhões de kwanzas feitos por uma entidade desconhecida para aquisição de químicos de cimento, enquanto a SCHEUER figurava como beneficiária final.

“Se isso não é lavagem, é no mínimo um esquema altamente suspeito”, afirmou uma fonte ligada ao antigo departamento jurídico da empresa.

As denúncias tornam-se ainda mais sensíveis pelo facto de Edner Silva ser filho de José Paulino Cunha da Silva, antigo secretário de Estado do Ministério do Interior e actual director de Cooperação Internacional do Ministério das Relações Exteriores.

Ao Imparcial Press, os trabalhadores asseguram que os problemas financeiros da empresa começaram exactamente após a exoneração do pai, José Silva, levantando fortes suspeitas de que a “torneira” do financiamento teria sido fechada.

“Enquanto o pai estava no Ministério do Interior, tudo fluía. Depois da demissão, salários deixaram de ser pagos, rendas ficaram em atraso e o escritório acabou por fechar”, relatou ao Imparcial Press um ex-trabalhador.

O espaço da empresa no Belas Business Park terá sido encerrado por dívidas acumuladas, mas, ainda assim, a SCHEUER continuaria a operar “às escondidas”.

Os trabalhadores denunciam ainda que não havia descontos para o Instituto Nacional de Segurança Social (INSS) nem para a Administração Geral Tributária (AGT), configurando possível evasão fiscal em larga escala.

Alguns funcionários afirmam ter sido pagos parcialmente apenas após forte pressão, enquanto outros desistiram de lutar pelos seus direitos por medo ou cansaço.

Fontes próximas do processo indicam que a Procuradoria Geral da República junto ao SIC terá congelado uma das contas bancárias da empresa, nomeadamente do banco BIC, sinal de que as autoridades encaram o caso com seriedade.

Ainda assim, os trabalhadores temem que o processo “morra na gaveta”, devido às ligações políticas da família do CEO.

“O problema de Angola é este. Os mesmos nomes, os mesmos esquemas, e quem paga são sempre os trabalhadores”, lamentou outro ex-colaborador, que também avançou com uma acção judicial para reclamar salários em atraso.

SCHEUER terá sido criada por testas-de-ferro

A investigação do Imparcial Press em torno da SCHEUER, S.A. ganha contorno ainda mais graves pelo facto do nome de Edner Silva, apontado como CEO e principal decisor da empresa, não constar formalmente da estrutura societária nem dos órgãos sociais registados, o que reforça a tese de que a empresa poderá ter sido montada com recurso a testas-de-ferro para ocultar os verdadeiros beneficiários.

De acordo com dados oficiais de nomeação dos órgãos sociais (Processo AP.11/2023-08-25), referentes ao triénio 2023-2025, ο Conselho de Administração da SCHEUER é formalmente presidido por Júdisse Odísio Mahuri, tendo como administradores Gullite Brisa do Rio Augusto e Dedaldino Reginaldo Chinhama Augusto.

Já o Conselho Fiscal é liderado por Silva Daniel, com Santareno de Castro e Nelson Jorge António como vogais. A deliberação data de 10 de Janeiro de 2023.

O nome de Edner Silva não aparece em nenhum destes registos, facto que contrasta com os testemunhos de ex-trabalhadores, que о identificam como o verdadeiro gestor de facto, responsável pelas decisões estratégicas, contratações, pagamentos ou falta deles e esquemas financeiros.

Para antigos funcionários, a discrepância entre a gestão de facto e a gestão formal não é casual. “Quem mandava era o Edner. Os nomes que aparecem nos papéis não decidiam nada. Serviam apenas para dar cobertura legal”, afirmou uma fonte, acrescentando que a ausência do alegado CEO nos registos “é típica de empresas criadas para esconder responsabilidades criminais e patrimoniais”.

Esta revelação agrava as suspeitas de burla, evasão fiscal e branqueamento de capitais já denunciadas junto do SIC, sobretudo num contexto em que a empresa terá movimentado centenas de milhões de kwanzas, não efectuava descontos legais aos trabalhadores e deixou dívidas acumuladas a funcionários, fornecedores e ao condomínio onde operava.

Para os queixosos, a utilização de testas-de-ferro, associada à vida discreta de Edner Silva no exterior, à inexistência de exposição pública e ao encerramento repentino do escritório em Luanda, reforça a percepção de que a SCHEUER foi estruturada para operar nas sombras.

“Se ele não existe nos papéis, como explica que seja ele a mandar em tudo? Quem está a ser protegido?”, questiona um ex-colaborador, defendendo uma investigação profunda aos verdadeiros beneficiários efectivos da empresa.

Imparcial Press

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